Memórias e curiosidades, 100 anos depois

Monthly Archives: Fevereiro 2015

Dois filmes

silent_mountainA propósito da Grande Guerra, trazemos hoje dois filmes, apesar de não directamente relacionados com a participação de Portugal nesse conflito, retratam de forma interessante uma outra frente dessa guerra.  Aparecendo nos cinemas em 2014 chama-se no original, “The Silent Mountain”é um filme austriaco, realizado por Ernst Gossner, cuja acção se desenrola nos Alpes, numa zona conhecida como Dolomitas, na fronteira entre a Itália e a Austria e que em 1915 viu estalar um conflito entre os dois países, que se encontravam em lados opostos da Grande Guerra.

É um filme despretencioso que alude a um conflito que dividiu famílias, dado que nestas zonas de fronteira é comum existirem famílias que têm elementos austríacos e elementos italianos. Esta frente da Grande Guerra é frequentemente esquecida em detrimento do mais mediático conflito das trincheiras, no entanto foi uma frente que causou muita mortandade e criou muitos ódios que vinham ainda do século XIX.

Ao que parece o filme não passou no circuito português de cinema. Pode consultar aqui a página oficial.

 

Shoulder_ArmsUm outro filme interessante, foi realizado e protagonizado por Charles Chaplin, um mais que conhecido monstro sagrado do cinema, um homem com uma consciência política e social extraordinárias, para alem de uma natural intuição para o cinema, Chaplin foi sem dúvida um homem muito à frente do seu tempo.

O filme saiu em 1918, um pouco antes do Armistício, retratando a participação americana no conflito através do estilo mordaz de comédia que Chaplin popularizou. Pode ser visto na íntegra aqui.

 

Francisco Pereira

Querida Tomásia

Manuel da Costa Chaparreiro e Dona Tomásia, sua esposa

Manuel da Costa Chaparreiro e Dona Tomásia, sua esposa

Querida Tomásia….

Era assim que se dirigia à futura noiva que por ele esperava, feitas que estavam juras de amor. Em postal mandado de França a 5 de fevereiro de 1918, Manuel da Costa Chaparreiro (Soldado Condutor, do Regimento de Artilharia nº1) falava de tudo menos da guerra. No anverso do postal de imaginário gaulês [la semaine du permissionnaire] Chaparreiro, tenta traduzir a Tomásia os dias da semana em francês.

O bilhete-postal era, nesta época, uma popular forma de comunicação e apesar de ser proibido escrever [pela União Postal Internacional] no espaço reservado à imagem era frequente introduzirem-se pequenas frases ou palavras que lhes reforçavam o sentido. É o caso deste (aqui num detalhe) que nos foi facultado pela bisneta Ana Neto dos Santos.

 

Matias, o comerciante.

Maurício Matias

Maurício Matias

A história que hoje divulgamos está associada a um dos nossos antigos combatentes. Aqui vai!

Uma das mais completas mercearias do bairro das Milheiras era propriedade de Maurício Matias, também conhecido pela forma particular como tratava a fauna de bêbados que lhe pululavam na taberna. Certo dia, um garoto da rua, depois de lhe ter surripiado uma mão-cheia de alfarroba da saca da forragem, ouviu o velho combatente a dar instruções ao seu empregado.

– Quando medires a feijoca no alqueire de madeira, passas a rasoira assim, e exemplificava, dizendo-lhe nas entrelinhas como devia “puxar para a casa” numa nítida tentativa de lhe incutir “a filosofia da empresa”. Certo é que, por mais que se esforçasse, o jovem marçano não conseguia igualar o patrão não conseguindo dessa forma evitar que a velha cliente levasse o preço justo pelo peso certo.

[foto gentilmente cedida pelo (bisneto) Filipe Cartaxo]

Malta dos canhões

Almeirinenses da arma de Artilharia Pesada

Almeirinenses da arma de Artilharia Pesada

Hoje publicamos um retrato de dois conterrâneos e amigos, ambos almeirinenses e de Artilharia. José dos Santos Sampaio [primeiro-cabo – CAP] (esq.) e Justino Matias Ferreira [soldado – CAP] (dir.). A insígnia no braço esquerdo do dolmen destes militares identifica-os como pertencentes ao Corpo de Artilharia Pesada, tal como a “granada em chama” de latão oxidado que orla a gola.

 

Super canhão

super canhão

Guarnição Portuguesa

Escavados nas gavetas da memória ou reféns de uma zelosa guardiã, os materiais vão aparecendo – muito lentamente – como se de arqueologia se tratasse. É o caso da imagem que aqui divulgamos, associada ao primeiro-cabo José dos Santos Sampaio [CALP] que se deixou fotografar junto a este super-canhão de 240mm. No verso deste post card pode ler-se;

Challons, 21 de Abril de 1918

[assinado: Sampaio] 

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