Memórias e curiosidades, 100 anos depois

Fernando Veríssimo

Marneca, o apelido mais comum

Manuel de Oliveira Marneca

Manuel de Oliveira Marneca

Marneca, apesar de soar um pouco estranho, é o mais comum dos apelidos dos militares de Almeirim mobilizados para o conflito. Embora na listagem nominal do Arquivo Histórico Militar apareçam incongruências na grafia, pensamos que, objeto de errada transcrição, é bem provável que tenham pertencido à mesma família todos os “Marnecas” que dela fazem parte (Agostinho, Francisco, Jaime e Manuel de Oliveira Marneca).

Bem ataviado este nosso Joaquim

Joaquim Barrão

Joaquim Barrão

Joaquim Barrão, soldado do C.E.P., arregimentado ao Corpo de Artilharia Pesada nº1, numa típica fotografia [sépia] com decor trompeloeil. Não pertencendo este nosso conterrâneo ao oficialato, a quem o regulamento e uniformização das tropas permitia o uso de bengalão (espécie de robusta bengala encastrada a metal na ponta) que em campanha substituía a espada, podemos intuir –
porque nos aparece com uma ligadura no indicador da mão esquerda e firmando-se numa só perna – que o apoio de madeira com que se deixou fotografar pode ser consequência de alguma incapacidade temporária.
Regressou saudável à vida civil, teve uma vida plena e morreu velho, contrariando a lógica do devastador conflito.

(…) A Alemanha declarou guerra a Portugal ou só especialmente aos batalhões do C.E.P. ? (David Magno, major)

(foto gentilmente cedida pela neta, D. Lurdes Veríssimo, a quem agradecemos através do seu filho António)

Querida Tomásia

Manuel da Costa Chaparreiro e Dona Tomásia, sua esposa

Manuel da Costa Chaparreiro e Dona Tomásia, sua esposa

Querida Tomásia….

Era assim que se dirigia à futura noiva que por ele esperava, feitas que estavam juras de amor. Em postal mandado de França a 5 de fevereiro de 1918, Manuel da Costa Chaparreiro (Soldado Condutor, do Regimento de Artilharia nº1) falava de tudo menos da guerra. No anverso do postal de imaginário gaulês [la semaine du permissionnaire] Chaparreiro, tenta traduzir a Tomásia os dias da semana em francês.

O bilhete-postal era, nesta época, uma popular forma de comunicação e apesar de ser proibido escrever [pela União Postal Internacional] no espaço reservado à imagem era frequente introduzirem-se pequenas frases ou palavras que lhes reforçavam o sentido. É o caso deste (aqui num detalhe) que nos foi facultado pela bisneta Ana Neto dos Santos.

 

Malta dos canhões

Almeirinenses da arma de Artilharia Pesada

Almeirinenses da arma de Artilharia Pesada

Hoje publicamos um retrato de dois conterrâneos e amigos, ambos almeirinenses e de Artilharia. José dos Santos Sampaio [primeiro-cabo – CAP] (esq.) e Justino Matias Ferreira [soldado – CAP] (dir.). A insígnia no braço esquerdo do dolmen destes militares identifica-os como pertencentes ao Corpo de Artilharia Pesada, tal como a “granada em chama” de latão oxidado que orla a gola.

 

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