Memórias e curiosidades, 100 anos depois

Grupo de Metralhadoras

Soldado João Pedro [Grupo de Metralhadoras]

Soldado João Pedro [Grupo de Metralhadoras]

Na lista oficial disponível (e fiável) o único rapaz das metralhadoras, é este que aqui vedes. Não é o melhor documento que o possa atestar pois os “retoques” feitos à velha fotografia afastam-nos – ainda mais – da realidade desses tempos de incerteza, fome e desventura. A freguesia de Benfica do Ribatejo deu, também ela, alguns dos seus valorosos jovens para combaterem nas frentes africana e europeia. Um deles foi o João Pedro.

[Nota: João Pedro fora cunhado de outro antigo combatente, de seu nome, Francisco d’ Oliveira Marneca]

[foto [s/ data] gentilmente cedida por Rita Mesquita]

A namorada francesa

namorada francesa jsantos sampaio 2 dez 1918França, 2 de dezembro de 1918. Após novembro, a paz será cumprida em desfiles de vitória. Para as nações e para os homens, envolvidos neste conflito, que durou mais do que devia, sobrou uma enorme chaga social, a desventura dos que pereceram e a má fortuna dos estropiados. Para os afortunados, ficaram os amores. Foto [s/data] supostamente endereçada ao Cabo José dos Santos Sampaio por uma admiradora francesa.

Soldado Ferreira

Justino Matias Ferreira - Soldado [s/data]

Justino Matias Ferreira – Soldado [s/data]

Embora nesta altura já largamente difundida, (apesar de Niépce a ter descoberto na primeira metade do sec. XIX), a fotografia requeria ainda maior tempo de exposição e servia-se de equipamentos pouco portáteis  para “tirar um retrato”. Por essa razão eram feitas em estúdio, provavelmente usando luz zenital e décor “trompe l’oeil” imitando um cenário bucólico. É nesse enquadramento ficcionado e apoioado num “solitaire” que vemos o Soldado Justino Ferreira.

O Fado das Trincheiras

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O fado aparece inicialmente num filme realizado em 1940 por Jorge Brum do Canto. A partir de uma opereta de sucesso dos anos 20 do século passado(1), o filme retrata a história amorosa dum soldado português, João Ratão, que regressa da frente de batalha na Flandres. No filme, é pela voz do actor Óscar de Lemos na pele do protagonista João Ratão que ouvimos o fado.

Pode ver o filme aqui!

 

 

 

Já nos anos 60 do século XX o fado seria gravado e popularizado por Fernando Farinha, o famoso “Miúdo da Bica”. O Fado das Tricheiras com letra de Félix Bernardes  e João Bastos e música de António Melo, retrata pela voz inconfundível de Fernando Farinha, a dura realidade das trincheiras, é um hino interessante ao sacríficio daqueles que participaram na Grande Guerra.

Letra:folder

O soldado na trincheira, não passa duma toupeira
Vive debaixo do chão.
Só pode ter a alegria de espreitar a luz do dia
Pela boca de um canhão.
Mas quando chegar a hora dele arrancar por aí fora
Ao som da marcha de guerra,
Seus olhos são duas brasas e as toupeiras ganham asas
Como as águias lá da serra.

Refrão :
Rastejando como sapos, com as fardas em farrapos
Pela terra de ninguém
Mas cá dentro o pensamento, corre mais alto que o vento
Quando pela nossa mãe.
E se eu morrer na batalha, só quero ter por mortalha
A bandeira nacional.
E na campa de soldado, só quero um nome gravado
O nome de Portugal.

Soldados da nossa terra, são voluntário da guerra
Que vêm bater-se por brio.
Raça de povo e de glória, que escreveu a nossa história
Nos mundos que descobriu.
Por isso a Pátria distante, brilha em nós a cada instante
Como a luz de uma candeia,
Que arde de noite e de dia no altar da Virgem Maria
Na igreja da nossa aldeia.

Poderá ver e ouvir uma versão deste fado aqui!

 

(1). http://bogiecinema.blogspot.pt/2009/11/resenha-critica-joao-ratao.html

Francisco Pereira

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