Memórias e curiosidades, 100 anos depois

Marneca, o apelido mais comum

Manuel de Oliveira Marneca

Manuel de Oliveira Marneca

Marneca, apesar de soar um pouco estranho, é o mais comum dos apelidos dos militares de Almeirim mobilizados para o conflito. Embora na listagem nominal do Arquivo Histórico Militar apareçam incongruências na grafia, pensamos que, objeto de errada transcrição, é bem provável que tenham pertencido à mesma família todos os “Marnecas” que dela fazem parte (Agostinho, Francisco, Jaime e Manuel de Oliveira Marneca).

A Grande Guerra em Banda Desenhada

Em Julho de 2Guerrra Baptista Mendes álbum capa014 foi editado o álbum Portugueses na Grande Guerra, da autoria de Baptista Mendes, cujo conteúdo é constituído, quase na totalidade, por episódios publicados inicialmente no Jornal do Exército nos anos 1960 (68 e 69), 1970 (70, 71, 72, 73, 74 e 77) com dois inéditos realizados em 2014 de propósito para o álbum (“O Soldado Milhões” e “José Maria Hermano Baptista”).

 

 

 

 

 

4No dia 19 de Março do corente ano, com o Jornal o Público saiu o albúm “Foi assim a Guerra das Trincheiras”, integrado na série de novelas gráficas, que aquele jornal distribiu. Numa obra até agora inédita em Portugal, o autor Jacques Tardi, pretendeu homenagear o seu avô que combateu nesse conflito.

 

 

 

 

Francisco Pereira

Bem ataviado este nosso Joaquim

Joaquim Barrão

Joaquim Barrão

Joaquim Barrão, soldado do C.E.P., arregimentado ao Corpo de Artilharia Pesada nº1, numa típica fotografia [sépia] com decor trompeloeil. Não pertencendo este nosso conterrâneo ao oficialato, a quem o regulamento e uniformização das tropas permitia o uso de bengalão (espécie de robusta bengala encastrada a metal na ponta) que em campanha substituía a espada, podemos intuir –
porque nos aparece com uma ligadura no indicador da mão esquerda e firmando-se numa só perna – que o apoio de madeira com que se deixou fotografar pode ser consequência de alguma incapacidade temporária.
Regressou saudável à vida civil, teve uma vida plena e morreu velho, contrariando a lógica do devastador conflito.

(…) A Alemanha declarou guerra a Portugal ou só especialmente aos batalhões do C.E.P. ? (David Magno, major)

(foto gentilmente cedida pela neta, D. Lurdes Veríssimo, a quem agradecemos através do seu filho António)

Dois filmes

silent_mountainA propósito da Grande Guerra, trazemos hoje dois filmes, apesar de não directamente relacionados com a participação de Portugal nesse conflito, retratam de forma interessante uma outra frente dessa guerra.  Aparecendo nos cinemas em 2014 chama-se no original, “The Silent Mountain”é um filme austriaco, realizado por Ernst Gossner, cuja acção se desenrola nos Alpes, numa zona conhecida como Dolomitas, na fronteira entre a Itália e a Austria e que em 1915 viu estalar um conflito entre os dois países, que se encontravam em lados opostos da Grande Guerra.

É um filme despretencioso que alude a um conflito que dividiu famílias, dado que nestas zonas de fronteira é comum existirem famílias que têm elementos austríacos e elementos italianos. Esta frente da Grande Guerra é frequentemente esquecida em detrimento do mais mediático conflito das trincheiras, no entanto foi uma frente que causou muita mortandade e criou muitos ódios que vinham ainda do século XIX.

Ao que parece o filme não passou no circuito português de cinema. Pode consultar aqui a página oficial.

 

Shoulder_ArmsUm outro filme interessante, foi realizado e protagonizado por Charles Chaplin, um mais que conhecido monstro sagrado do cinema, um homem com uma consciência política e social extraordinárias, para alem de uma natural intuição para o cinema, Chaplin foi sem dúvida um homem muito à frente do seu tempo.

O filme saiu em 1918, um pouco antes do Armistício, retratando a participação americana no conflito através do estilo mordaz de comédia que Chaplin popularizou. Pode ser visto na íntegra aqui.

 

Francisco Pereira

Querida Tomásia

Manuel da Costa Chaparreiro e Dona Tomásia, sua esposa

Manuel da Costa Chaparreiro e Dona Tomásia, sua esposa

Querida Tomásia….

Era assim que se dirigia à futura noiva que por ele esperava, feitas que estavam juras de amor. Em postal mandado de França a 5 de fevereiro de 1918, Manuel da Costa Chaparreiro (Soldado Condutor, do Regimento de Artilharia nº1) falava de tudo menos da guerra. No anverso do postal de imaginário gaulês [la semaine du permissionnaire] Chaparreiro, tenta traduzir a Tomásia os dias da semana em francês.

O bilhete-postal era, nesta época, uma popular forma de comunicação e apesar de ser proibido escrever [pela União Postal Internacional] no espaço reservado à imagem era frequente introduzirem-se pequenas frases ou palavras que lhes reforçavam o sentido. É o caso deste (aqui num detalhe) que nos foi facultado pela bisneta Ana Neto dos Santos.

 

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